domingo, 23 de Dezembro de 2012

Amigos do Porto produzem vinho em Muxagata

Dois advogados, um gestor, um diretor comercial, um administrador de uma empresa e um enólogo são os sócios da empresa que produz o “Palato do Côa”
Em época de crise económica, o sector dos vinhos parece ser um dos que ainda tem pernas para andar e já não são só as pessoas com formação na área que decidem apostar na produção vinícola. Exemplo disso são os vinhos “Palato do Côa”, produzidos com uvas de uma quinta da freguesia de Muxagata, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, adquirida por um grupo de seis amigos da zona do Porto sem qualquer ligação à região. Apenas Carlos Magalhães, um dos sócios da sociedade agrícola Cinco Bagos, faz do vinho a sua atividade profissional em virtude de ser enólogo. De resto, há dois advogados (João Anacoreta e Bernardo Lobo Xavier), um gestor (João Magalhães), um diretor comercial (Albano Magalhães) e um administrador de uma empresa (Manuel Castro Lemos). 


A razão dos seis amigos, dos quais três são familiares, terem enveredado por este tipo de negócio prende-se com o facto de serem «todos muito “amantes” do vinho e esta é uma forma de juntarmos o útil ao agradável, pois podemos beber o que nós próprios produzimos», explica Carlos Magalhães. O enólogo, que também é consultor e faz vinhos em «muitas zonas» do país, adianta que a Quinta da Saudade pertencia a um amigo seu que tinha interesse em se desfazer dela, tendo sido então adquirida pela sociedade Cinco Bagos. O projeto do “Palato do Côa” arrancou em 2008 numa propriedade com 16 hectares de vinha, cerca de oito de vinhas velhas e os restantes de vinhas novas com castas como a Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Carlos Magalhães salienta que a Muxagata tem um «micro-clima especial» e as vinhas de onde saem as uvas que dão origem ao “Palato” situam-se entre os 300 e os 420 metros de altitude. 


Para o especialista, a região do Douro Superior é uma «zona muito apetecível e com grande potencial para a produção de vinhos», embora a produção tenha «custos mais elevados» em virtude do declive das vinhas. O vinho que produzem carateriza-se por ter uma «boa relação preço-qualidade» e está a ter uma «boa aceitação» no mercado – já é exportado para o Canadá, Holanda e Dinamarca – e o objetivo dentro de cinco anos é passar da produção atual de 35 mil para 120 mil garrafas. O enólogo revela que, por enquanto, os vinhos estão a ser feitos na Quinta da Canameira, também em Foz Côa, mas o objetivo «mais dia, menos dia, é fazermos uma adega própria». Carlos Magalhães reconhece que há uma tendência crescente de “curiosos” sem formação na área apostarem na produção de vinho, mas ressalva que, «por vezes, esses são projetos um bocado perigosos» porque as pessoas «entusiasmam-se e não se podem esquecer que é preciso saber produzir, mas também é preciso saber vender». 


Fonte: O interior

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